Por um Trabalhismo Nacionalista

Por Nogueira Sousa

Devido aos movimentos de esquerda organizados em torno da greve do 28 de abril, muitos direitistas e opositores da esquerda em geral têm criticado tal movimento, entretanto, os criticam baseados nas premissas erradas – não sobre valores de defesa daqueles que realmente trabalham e produzem, mas sobre premissas neoliberais que nos são tão nocivas quanto o atual regime e que defendem os verdadeiros parasitas.

Primeiro, dizem que tal movimento traria consequências negativas ao progresso econômico. Porém, devemos nos perguntar a quem serve este progresso econômico. É realmente aos trabalhadores? Àqueles que produzem? Pois se para progredirmos economicamente precisamos reduzir os direitos dos trabalhadores de forma que trabalhem para ganhar merrecas sob condições de exploração, então não é os trabalhadores que a direita defende. Poderíamos ser um dos países mais produtores e que mais progridem economicamente se reduzíssemos o trabalho a condições extremas como se encontram na China, por exemplo (que ironicamente é governada por um “Partido Comunista”). Compreendemos que entre os sindicatos e os movimentos de esquerda há diversos parasitas, autênticos vagabundos (para ser direto), pessoas que agora estão latindo contra a mesma mão que os alimentou em outros momentos, que querem parasitar os trabalhadores com políticas sociais infrutíferas. Estes não querem combater, lutar, tomar os espaços do governo, mas querem fazer greves atrás de greves que no final prejudicam ainda mais os trabalhadores, que mais produzem uma sociedade desfuncional que uma frente organizada contra o regime.

Produzir apenas por produzir é a ideologia da célula cancerígena. Trabalhamos por razões maiores. A economia não é um fim em si mesma, mas um meio.

Além disso, se devemos defender os trabalhadores e repudiar os vagabundos e parasitas, devemos nos perguntar sobre o papel do patrão, dos mega empresários, dos especuladores e dos governantes em conluio com o globalismo. É justo que pessoas que não trabalhem, não produzam, que apenas especulam e parasitam o Estado sejam milionárias, até mesmo bilionárias? Que tenham tanto poder sobre as vidas de milhões de trabalhadores que de fato produzem, que trabalham pelas suas famílias e comunidades? Que sejam isentos de obrigações como o pagamento de dívidas, pagamentos que poderiam solucionar o suposto “rombo da previdência”? Não podemos nos reduzir a utopias liberais de mera negociação e livre mercado, pois o trabalhador não tem o mesmo poder de negociação que o patrão e, como dito antes, a economia é um meio, não é um fim. O trabalhador, desesperado, pode ficar dividido entre dívidas, pobreza e um trabalho insalubre no qual será explorado por um patrão que realmente tem vantagens nas negociações. Daí a necessidade de mecanismos que coloquem o trabalhador em condições justas.

Portanto, apoiamos movimentos que questionem a legitimidade de um governo que não serve ao povo, um governo que prefere agir a serviço de megaempresários, especuladores da elite globalista e interesses imperialistas. Apoiamos a luta contra a figura do “gestor”, aquele que serve apenas para resolver problemas técnicos de gestão de um sistema, um sistema que encara os trabalhadores como meras engrenagens e peças a serem substituídas ou descartadas.

Mas não acreditamos que os trabalhadores vencerão apoiando aquela mesma esquerda que tantas vezes preferiu apertar as mãos com o regime, a abrir concessões e brechas, a prostituir seus valores e comunidades em nome de suas pretensões ideológicas. Só há alternativa na via Nacionalista e anti-globalista, pela esquerda do trabalho e pela direita dos valores. A via em que o trabalhador não é mera engrenagem, atomizado ou apenas classe, mas é um ser integral, de valores, família, identidade, nação e pátria, que se utiliza do seu trabalho para construir um mundo com autonomia e dignidade, defendendo-se dos parasitas, nômades especuladores e individualistas radicais.

Portanto, devemos, nestes momentos de crise, organizarmo-nos numa frente Nacionalista, uma frente que de fato defenderá aqueles que mais sofrem com o liberalismo global e as suas consequências, como o esquerdismo progressista. Apoiamos todos aqueles que estarão na greve pelos motivos justos, pela defesa do trabalhador.

Sem uma revolução radical de paradigmas, que certamente demandará luta e sacrifício, cada vitória dos atuais movimentos não passarão de vitórias momentâneas, um mero atraso de medidas que serão inevitavelmente tomadas pelos “gestores” a fim de manter o sistema.

greve-sp
São Paulo Terra do Trabalho
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